Em Jardins de Abel, Denise Dias Barros narra histórias sobre a desinstitucionalização dos manicômios de Trieste, que, na década de 1970, passaram a ser conduzidos segundo as ideias de Franco Basaglia, por sua equipe e seguidores. As histórias destroem certezas, evidenciando o que Foucault denominou “subpoderes”, e questionam a neutralidade dos saberes. Ao discutir interpretações sobre a loucura e as práticas psiquiátricas a ela ligadas, o livro estimula a reflexão sobre as relações entre ciência, conhecimento e verdade. Tomando como exemplo a experiência ocorrida no manicômio de Trieste, a autora ressalta as possibilidades de uma nova psiquiatria, capaz de romper com paradigmas arcaicos que tratavam a loucura como fenômeno unicamente médico-clínico, contrapondo-se à abordagem da doença mental como perigosa e propondo conceitos novos não associados a segregação, opressão e controle.
